O Governo insiste numa política deliberada de desvalorização dos trabalhadores em funções públicas e sociais, mascarada de negociação e sustentada num acordo plurianual de empobrecimento, assinado com estruturas sindicais que optaram pela resignação em vez da defesa intransigente dos direitos de quem trabalha.
A atualização salarial de 2,15% para 2026 é uma afronta direta ao poder de compra dos trabalhadores. Não repõe perdas acumuladas, não acompanha o aumento brutal do custo de vida e condena milhares de trabalhadores a continuar a empobrecer.
O aumento do subsídio de refeição em míseros 0,15 € é insultuoso, quando os preços dos bens alimentares aumentaram mais de 30% nos últimos quatro anos. Isto não é erro. É opção política.
HÁ DINHEIRO — NÃO HÁ É VONTADE DE O DISTRIBUIR COM JUSTIÇA
Enquanto os trabalhadores perdem rendimento real todos os anos:
Perante estes números, é impossível aceitar a narrativa da “responsabilidade orçamental”. O que existe é uma transferência consciente de riqueza do trabalho para o capital.
A TRU ESTÁ DESFIGURADA — É URGENTE CORRIGI-LA
A Tabela Remuneratória Única está profundamente degradada e desvirtuada. O Governo mantém artificialmente vários níveis salariais colados ao mínimo, violando a lógica da progressão e a própria estrutura da TRU de 2009. O valor da Base Remuneratória da Administração Pública (934,99 €) tem de corresponder apenas ao Nível 1, e não pode continuar a servir de tampão para os níveis 2, 3, 4 e 5, anulando carreiras, experiência e responsabilidade. O nível 2 tem de corresponder ao valor do atual nível 6, o 3 ao atual 7, o nível 4 ao atual nível 8 e o nível 5 atual tem de corresponder ao valor remuneratório do atual 9.
Sem uma reestruturação profunda da TRU, não há valorização salarial — há apenas propaganda. E manhosa!
SALÁRIOS EM ATRASO: MAIS UMA PROVA DO DESRESPEITO
É inaceitável que, em janeiro, muitos trabalhadores continuem a receber valores de 2025 devido ao atraso do Governo na publicação dos diplomas legais.
Este desleixo tem consequências reais na vida das pessoas e demonstra, uma vez mais, o desprezo do Governo pelos trabalhadores da Administração Pública.
O STFPSN NÃO ACEITA — E CONVOCA À LUTA
O STFPSN rejeita este acordo de empobrecimento, rejeita a farsa negocial e reafirma que os direitos e os salários não se mendigam — conquistam-se com luta.
É tempo de:
Contra a política de empobrecimento, a resposta só pode ser uma: unidade, luta e ação.
Sem luta não há justiça salarial. Sem pressão não há mudança. Os trabalhadores não podem pagar a crise que não criaram.